A economia a distância

O mundo está sendo forçado a mudar muito rapidamente e se adaptar, por conta da pandemia do Covid-19. Em um estudo publicado pelo Board of Innovation (https://www.boardofinnovation.com/low-touch-economy/), este novo cenário da economia e da nossa sociedade foi definido comoThe Low Touch Economy.A tradução mais adequada que consegui encontrar para este termo em português foi: a economia a distância. Trata-se de uma série de mudanças comportamentais e novos hábitos baseados na redução de contato físico entre as pessoas, novos hábitos de higiene e medidas de segurança. Boa parte destes novos hábitos chegaram para ficar e provocarão impactos permanentes em diversos setores da nossa economia.

Algumas empresas têm evitado aceitar esta nova realidade, enquanto outras já incorporaram a economia a distância nos seus planejamentos estratégicos. O Twitter anunciou recentemente que todos os seus funcionários poderão trabalhar de casa para sempre. A empresa cancelou todos os seus eventos agendados para 2020 e afirma que seus funcionários não farão viagens de negócios antes do mês de setembro deste ano.

Muitas empresas perceberam que as caras viagens de negócios podem ser substituídas por reuniões online, através de ferramentas de videoconferência. A Zoom Communications, que desenvolve uma destas ferramentas de videoconferência, viu o seu número diário de usuários crescer absurdamente nos dois últimos meses e atingiu recentemente um valor de mercado maior do que as sete maiores companhias aéreas do mundo.

Fonte: Ycharts

Já no mercado jurídico, os impactos da pandemia já começam a ser sentidos e um de seus indicadores é o aumento de processos chegando até o judiciário. Estes processos estão sendo gerados porque uma grande quantidade de empresas precisou desligar seus funcionários, já que não estão conseguindo pagar os salários.

Desde primeiro de janeiro até o início de maio, foram registrados mais de 10 mil processos trabalhistas e 9 mil demissões e afastamentos. O valor total das causas já é de mais de R$ 500 milhões. (Fonte: Conjur  https://www.conjur.com.br/2020-mai-02/numero-acoes-trabalhistas-durante-epidemia-cada-vez-maior)

Por outro lado, medidas dos tribunais têm adotado o trabalho remoto e audiências por vídeoconferência para permitir que a justiça continue funcionando. A utilização deste tipo de tecnologia deve permanecer mesmo depois da pandemia.

Algumas startups já estão tentando explorar outros usos destas tecnologias no direito, como a canadense Qase (https://www.qase.ca), que permite que as pessoas possam contratar os serviços de advogados remotamente, através de seus celulares.

As empresas que sobreviverão a esta crise, e terão sucesso nos próximos um ou dois anos, serão aquelas que conseguirem adaptar rapidamente seus modelos de negócios para trabalhar com todas as restrições que esta nova economia trará, como o contato físico reduzido entre empregados e consumidores, restrições para viagens, limitações na quantidades de pessoas reunidas num mesmo lugar, isolamento dos grupos de risco, entre outros.

Porém, esta redefinição forçada da nossa sociedade pode ser a oportunidade perfeita para que as empresas e pessoas  possam explorar novas áreas para crescer.