Adaptar-se ou seguir um plano?

Quando comecei a estudar sobre frameworks e metodologias ágeis de desenvolvimento de software, participei de um treinamento com o Alexandre Magno, umas das referências no Brasil sobre o assunto. Numa das dinâmicas deste treinamento, ele colocou uma bola de papel na mesa, que ficava na frente da sala, e as equipes deveriam traçar um plano detalhando a quantidade de passos para chegar até a bola partindo do fundo da sala. A minha equipe, que estimou a menor quantidade de passos, foi escolhida para realizar o “projeto”. Logo que eu iniciei a execução do plano dando alguns passos, a bola de papel foi jogada no lixo. Estava tão preocupado em seguir o nosso plano à risca, que só depois de dar uns três ou quatro passos é que eu olhei e notei que não havia mais bola.

Esta dinâmica me marcou bastante e a moral da história é que não adianta seguir cegamente um plano que parece perfeito, se as condições do mercado e os objetivos de negócio mudam constantemente. O conceito por trás desta atividade era exemplificar um dos valores do Manifesto Ágil* que diz: “Responder a mudanças mais que seguir um plano”. O que não significa não ser preciso fazer planos, mas quer dizer que o modelo de planejamento estratégico das empresas, que costumavam ser de 5 anos por exemplo, já não faz mais sentido.

No cenário atual, por conta da pandemia do Covid-19 principalmente, estamos vendo pessoas e empresas sendo forçadas a se adaptar e mudar seus planos para garantir a sobrevivência dos seus negócios.

O setor de academias, por exemplo, foi um dos que tiveram maiores impactos durante os últimos meses, por conta das medidas de isolamento. Neste contexto, a startup Gympass, após ter realizado demissões de pessoas, anunciou recentemente um novo produto que aposta nas aulas online e parcerias com aplicativos de bem estar. A proposta é oferecer uma alternativa para que as pessoas possam continuar se exercitando, mesmo em suas casas. De acordo com a startup, o novo serviço já computou mais de 430 mil horas de atividades dentro desse novo modelo, cuja retenção de atividades chega a 81% nas aulas ao vivo.

Este é um momento em que os gestores das empresas devem analisar os seus modelos de negócios, identificando de que maneiras podem mudar e ser ainda mais eficientes. Seja adaptando a oferta dos seus produtos e serviços através de canais digitais, implementando melhores políticas para a prática de trabalho remoto ou até mesmo adotando tecnologias que permitam a automação de tarefas para se tornarem mais produtivos. Esta prática de reavaliar seus negócios e pensar em novas maneiras de trabalhar deve ser mantida e realizada frequentemente, mesmo após este momento de crise.

Para conseguir se adaptar às mudanças, as empresas devem utilizar da experimentação para testar e validar novas hipóteses com agilidade e baixos investimentos. É preciso, contudo, aceitar que este processo de experimentação gera falhas. Empresas adaptativas devem ser tolerantes às falhas, pois é através dos erros vem o aprendizado para evoluir.

E como disse o filósofo grego Heráclito: “A mudança é a única constante na vida”. Os negócios que terão sucesso serão aqueles capazes de aceitar que as mudanças são inevitáveis, adaptando-se rapidamente para conseguir inovar e criar diferentes maneiras de solucionar problemas, sejam estes novos ou antigos.
Mas lembre-se, fique sempre de olho nos seus objetivos de negócio, pois de uma hora pra outra seus planos podem precisar ser jogados no lixo.

Thiago Souza dos Santos

Referências:
https://agilemanifesto.org/iso/ptbr/manifesto.html

Gympass se reposiciona e apresenta serviços on-line para lidar com pandemia