Inovação em tempos de crise

A palavra crise em chinês, "wēijī", combina os caracteres das palavras “perigo” e “oportunidade”. Contudo, os especialistas no idioma chinês sugerem que jī, em wēijī, significa "ponto crucial, crítico", e não "oportunidade". De qualquer maneira, esta definição da palavra crise tem sido muito utilizada em palestras e discursos motivacionais e se mostra relevante diante da crise atual que estamos vivenciando.
A maneira como os chineses têm conseguido inovar para superar as adversidades deve ser observada, servindo de exemplo para todos nós.

Porter Erisman trabalhava como VP no Alibaba, um grupo de empresas de tecnologia com sede em Hangzhou, China. Ele conta que em 2003, sua equipe precisou ser isolada em quarentena, por suspeitas de estarem contaminadas com o vírus SARS. Naquela época, a cidade de Hangzhou foi o epicentro da epidemia do vírus SARS na China.
Ao invés de ficarem paralisados e em pânico, a equipe do Alibaba não só conseguiu sobreviver, como saiu fortalecida depois da crise do SARS. Mesmo com os profissionais trabalhando em home office, a liderança da empresa conseguiu enxergar as oportunidades. Como as pessoas precisavam de coisas não podiam sair de casa para comprar, em 10 de Maio de 2003, eles identificaram como solucionar este problema, lançando uma nova plataforma de e-commerce chamada Taobao. Atualmente o Taobao é o maior site de e-commerce do mundo.

Durante o início desta crise atual do Coronavírus, vimos como os chineses conseguiram realizar a construção de dois hospitais, com mil leitos cada, em apenas dez dias. Isso só foi possível por conta do processo inovador de construção, em que cada parte do edifício é pré-fabricada separadamente e depois montada no local, minimizando o tempo para finalização das obras.
Já no campo da inovação na medicina, o Alibaba desenvolveu um algoritmo de inteligência artificial, capaz de diagnosticar os casos de Coronavírus com 96% de assertividade analisando exames de tomografia. O processamento deste algoritmo dura 20 segundos para dar um diagnóstico, já um médico demora pelo menos 20 minutos para analisar os exames e ter uma avaliação menos assertiva.
Outra área que teve uma grande evolução foi a educação, apoiada pelas ferramentas de videoconferência. Plataformas como WeChat Work, WeLink (Huawei), DingTalk (Alibaba) e Cotovia (ByteDance), entre outras, tiveram que ampliar a capacidade de participantes online para permitir que a educação não parasse, mesmo com o isolamento de professores e alunos. Milhares de alunos e professores descobriram como usar a internet para realizar suas aulas online e continuarem estudando.

Aqui no Brasil, muitas empresas se recusavam a adotar o home office, pois não achavam que este tipo de trabalho poderia ser produtivo. De um dia para o outro, estas empresas se viram obrigadas a implantar o home office, por causa das medidas para evitar a propagação do vírus. Muitas pessoas criticavam também as relações de trabalho dos entregadores da chamada "gig economy". Porém, nesta época de isolamento estão usando os aplicativos de entrega para comprar comida sem sair de casa.

A reflexão que devemos fazer neste momento é a seguinte, será que ao invés de apenas reclamarmos, não poderíamos tentar achar soluções para as causas das reclamações?
Ainda não sabemos quanto tempo esta crise irá durar, nem quais serão os seus impactos. Mas acredito que serão os empreendedores que nos ajudarão a superá-la, encarando os perigos e enxergando as oportunidades para solucionar os problemas que estamos por enfrentar.

Thiago Souza dos Santos

Referências:
https://www.businessinsider.com/how-alibaba-survived-2003-sars-crisis-under-jack-ma-2020-3

https://www.startse.com/noticia/ecossistema/o-levante-da-china-como-inovar-em-tempos-de-crise


Inovação como meio de prevenção ao desabastecimento em meio a crise sanitária

Uma nova startup paranaense ajuda os varejistas a realizarem a reposição de suas prateleiras possibilitando, assim, um maior abastecimento do comercio varejista.

O aplicativo Anthor, funciona como uma plataforma que conecta usuários e estabelecimentos varejistas, proporcionando que os utilizadores do aplicativo acessem as demandas para reposição das gôndolas dos mercados.
O espeça ocupado pela empresa soluciona um antigo problema dos comerciantes varejistas, a reposição inteligente e em tempo real das gôndolas de supermercado. Como elenca a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) essa gestão deficitária representa uma perda de 13,5% de faturamento dos mercados, o que pode ser claramente diminuído em face do funcionamento regular do APP.

Em meio a crise sanitária que estamos vivendo em face do coronavírus é possível visualizar o APP como uma forma de prevenir o desabastecimento. Como visto em diversas localidades do país, os mercados sofreram com desabastecimento em virtude de compras realizadas pelos consumidores com o intuito de estocagem. Dessa forma, ao invés dos mercados terem de buscar fornecedores que também estão abarrotados com o desabastecimento e dificuldade de reposição, o APP proporciona uma grande capilaridade e pode representar uma solução muito benéfica aos consumidores e ao momento que passa o país, evitando maiores crises de abastecimento.

Ravi Petrelli Paciornik


Pandemia Digital

Diante de todas as incertezas que a pandemia do COVID-19 tem causado nas empresas e negócios de todo o mundo, uma, em especial, tem chacoalhado os advogados em nosso país. E não deveria. Não, não estamos falando da suspensão de prazos processuais. A grande preocupação que tem tirado o sono de muitos é: Será que estou preparado para administrar meu escritório remotamente?
Que podemos trabalhar à distância, ninguém tem dúvidas (ou pelo menos não deveria ter). Agora, será que estamos realmente preparados para tal? Preparados não apenas do ponto de vista de estrutura (notebooks, softwares, suporte de TI, segurança de rede, etc.), mas também, e principalmente, do ponto de vista comportamental.
A correria dos últimos dias pode ter resolvido a primeira parte deste problema, e agora, conforme se acompanha pelas mídias sociais, a grande maioria dos escritórios de advocacia está funcionando em regime de Home Office. No entanto, o restante e, talvez, maior desafio, esteja em conseguir construir a cultura do Home Office entre os colaboradores sem atrapalhar o andamento do negócio e, ainda por cima, à distância. Isto somente aumenta a responsabilidade neste tempo em que contato físico já não é mais opção e a transformação digital, que antes era meta, passou automaticamente à categoria de necessidade vital.
Enquanto muitos negócios investiram tempo para desenvolver uma maior proximidade e empatia com os clientes em uma realidade já tecnológica, o mundo jurídico preferiu focar em estreitar o contato humano físico, acreditando que este é o único contato humano possível ou, pelo menos, efetivo.
Nas nossas vidas pessoais vivemos um mundo cada vez mais Smart (SmartPhones, SmartWatches, SmartTVs...), mas nos escritórios e empresas o departamento jurídico continua relutando para aceitar essas transformações. A negação da tecnologia muitas vezes é justificada em razão das deficiências que ela apresenta ou dos problemas que ainda não resolve. Mas ao invés de investirmos tempo para ajudar a superar estas questões e melhorar a tecnologia, nos distanciamos ainda mais, “perdendo” o compasso da evolução tecnológica para depois termos que nos adequar “na marra”, quando já não temos outra saída.
A reunião presencial com a equipe é sempre é a melhor opção? O valor transmitido ao cliente realmente é maior quando o atendemos em nosso escritório? Ou seria tudo isso mais um pouco do tradicionalismo que faz muitos advogados não saírem de casa sem seu terno e gravata, acreditando que assim estão resguardando sua imagem e respeito profissional? Estes são questionamentos que nem sempre fazemos em nosso dia a dia, mas que neste momento inevitavelmente virão à tona.
O fato é que vamos enxergar, de uma vez por todas, que um dos principais objetivos da tecnologia é aproximar e possibilitar conexões que muitas vezes não são possíveis sem seu auxílio. Sem o contato humano físico, a tecnologia é o único elo que nos conecta, e quando começarmos a usá-la para criar mais empatia, aí sim sairemos desta crise mais fortes e mudados, com a esperança de que o futuro seja mais promissor.

Rafael Simião


Isadora Rizzi, jurada no Rocket da RPC

Nesta semana nossa Head de Legal, Isadora Rizzi, participou como jurada do Rocket, um reality show de empreendedorismo e inovação promovido pela RPC, e deu algumas dicas jurídicas para startups.

Confira o vídeo com todos os detalhes em:
https://gshow.globo.com/RPC/realities/rocket-startup/noticia/cuidado-com-a-captacao-de-dados-alerta-izadora-rizzi-sobre-o-uso-de-informacoes-de-terceiros-em-startups.ghtml


Home Office Time

Como não podia ser diferente em meio a essa pandemia que estamos vivendo, nossa principal prioridade é a saúde e a segurança de todos os nossos colaboradores. Nos sentimos também no dever e responsabilidade de apoiar nossas comunidades, aqueles que são vulneráveis e os profissionais de saúde que estão na linha de frente.
Portanto, comunicamos que nós do Bluejack, entre outras providências, estamos dando continuidade às nossas atividades normalmente, porém em regime de home office.
Estamos atendendo em todos os nossos canais de contato (e-mail, calls, aplicativos de mensagens instantâneas, redes sociais, etc.).
Permanecemos otimistas e acreditamos que, se cada um exercer seu papel, conseguiremos superar esse desafio o mais rápido possível!

Atenciosamente

Blue Jack


Coronavirus, Home Office, e a Brecha para Crimes Cibernéticos

Aspectos aos quais escritórios de advocacia e empresas precisam estar atentos para minimizar os riscos de crimes cibernéticos e manter seus dados e de seus clientes a salvo em época de trabalho remoto.

Muitas empresas, determinadas a proteger seus colaboradores e minimizar os impactos do COVID-19, estão estabelecendo políticas de home office e distanciamento social para que seus funcionários passem a trabalhar por via remota durante esse período incerto. Contudo é necessário calcular e prevenir possíveis riscos que tal medida pode acarretar a empresas e escritórios de advocacia que, por não estarem preparados, podem se tornar vítimas de ataques cibernéticos.
Não é nenhuma novidade que utilizar-se do caos e do medo coletivo é um modus operandi bem conhecido de criminal hacking. De acordo com o blog de cybersecurity ThreatPost, e-mails com o tema do Coronavirus estão sendo enviados para funcionários de empresas em todo o mundo com convites para seminários online sobre a doença, supostamente promovidos pela própria empresa, e links de suposto acesso a conteúdo informativo.
Mapas fraudulentos de surtos do Coronavirus estão sendo usados para atrair vítimas despreparadas para malwares; e documentos com o tema do COVID-19 em formato PDF e Word utilizados como isca para implantar ferramentas de acesso remoto (RAT), cópia de clipboard, keyloggers, ferramentas de captura de desktop e uma série de malwares nos computadores de usuários desavisados.
E, conforme a força de trabalho se distancia das empresas em direção a suas casas, o risco de ataques que se utilizam dos acessos remotos aumenta. Criminosos miram nos colaboradores para roubar suas credenciais de acesso à rede privada virtual e aos bastidores da empresa, o que lhes garante acesso legítimo aos sistemas internos.
Isso os favorece porque, embora de perto haja nítida diferença entra a atuação legítima de um colaborador e a do criminoso que se passa por ele, a olho nu, esses acessos normalmente passam despercebidos, e só são descobertos quando seus efeitos vem à tona.
Porém há algumas medidas, controles e práticas que podem (e devem) ser consideradas pelas empresas para minimizar os riscos e proteger seus próprios dados e de seus clientes a salvo, a fim de permitir seus times a trabalhar de casa de forma segura:
• Manter os funcionários informados acerca de golpes, phishing e sites fraudulentos com roupagem do Coronavirus;
• Recomendar que seus funcionários não trabalhem em espaços públicos, onde pessoas estranhas possam ver suas telas ou ter acesso ao seu conteúdo; bem como que não utilizem hotspots públicos, e prefiram redes de wifi protegidas por senha;
• O que parece óbvio - manter todos os computadores protegidos com senhas;
• Utilizar um VPN para proteger acessos remotos;
• Determinar que os funcionários utilizem autenticação multifatorial para acessar a rede privada da empresa;
• Desabilitar ou suspender as funções administrativas de usuários - as que possibilitam a criação de outros usuários por exemplo;
• Fortalecer o Endpoint – segurança voltada para dispositivos e não limitada apenas à rede;
• Caso permitido que os funcionários utilizem seus próprios dispositivos, considerar limitar o acesso a sistemas específicos da empresa.
A transformação digital por si só já propõe – e há um certo tempo – a realidade de forças de trabalho distribuídas, trabalhos remotos, conexões globais, decisões e processos guiados por inteligência artificial – e tantas outras mudanças que só tendem a aumentar em velocidade e complexidade.
Porém, fato é que grande parte das empresas ainda não está preparada para isso, e foi pega de surpresa com a necessidade de mandar seus colaboradores pra casa. Como todos os desastres, o Coronavirus vai passar, mas podemos nos utilizar desse evento para entender se estamos preparados para a realidade de transformação digital que já vivemos, e, se não estivermos, como uma oportunidade de nos ajustar.

Isadora Rizzi


Inteligência artificial acaba com o trabalho dos advogados e profissionais do direito ou facilita suas rotinas?

Cada dia que passa a inteligência artificial voltada para a área jurídica traz novas soluções para problemas rotineiros desse setor. Aos poucos as atividades braçais e com pouco engajamento intelectual do profissional do meio jurídico passam a ser realizados por inteligências artificiais.

Exemplo disso é o Tribunal de Justiça de Pernambuco que começou a utilizar a inteligência artificial para melhorar o ajuizamento de execuções fiscais. Vejam que normalmente esses processos fiscais são realizados quase que de forma massificada pelas procuradorias municipais e estaduais, deixando de analisar vícios comuns como grandes lapsos temporais entre a inscrição do crédito tributário até o seu ajuizamento, o que geraria a prescrição. Dessa forma, o tribunal utiliza a inteligência artificial para verificar essas condições e em diversos casos já apontando a prescrição e impossibilidade de prosseguimento dos processos.

Essa análise evita uma grande quantidade de gastos do Estado e do próprio contribuinte, seja pela condenação em honorários que Estado irá pagar em face da prescrição ou na desnecessidade de contratação de um advogado pelo contribuinte apenas para resolver essa pendência pontual.
Indo ainda mais além, os escritórios de advocacia estão utilizando essas inteligências artificiais para reduzir a quantidade de horas despendidas com trabalhos meramente braçais e, assim, focar em produção intelectual. Um bom exemplo disso é a utilização dessas soluções para análise de testemunhas em um determinado processo e a identificação de pontos contraditórios entre depoimentos atuais e anteriores, consequentemente, proporcionando que o advogado possa demonstrar eventual falta de credibilidade da versão narrada por uma das partes. Antes um trabalho como esse poderia levar diversas horas de trabalho dedicado exclusivamente, agora pode ser reduzido a um curto período de tempo e encontrar informações que muitas vezes sequer eram alcançadas.

E por fim para aqueles que dizem que essa tecnologia irá substituir o trabalho do advogado, podemos dizer que em parte o advogado robótico perderá espaço à verdadeira máquina, mas em compensação aquele que busca a produção técnica terá grande incremento em sua rotina, até mesmo os estagiários que antes eram bombardeados com tarefas maçantes e
administrativas poderão ter um desconto com a IA, proporcionando a eles tempo para construção de seu aprendizado nos escritórios, além de propiciar uma ajuda muito mais efetiva aos advogados.

Ravi Petrelli Paciornik


Como os Smart Contracts estão mudando os contratos

O conceito de contratos como conhecemos hoje teve sua origem no direito romano, sofrendo algumas mudanças durante o tempo. Atualmente as novas tecnologias na forma de smart contracts, estão mudando ainda mais a forma como as questões legais são elaboradas. Evidenciado pelo aumento da adoção de grandes aplicações industriais com o OOC Oil & Gas Blockchain Consortium, uma poderosa rede de dez principais empresas de petróleo e gás; juntamente com a iniciativa do Sistema Operacional 2.0 (OS2) da Universidade do Texas, um projeto colaborativo de pesquisa e desenvolvimento focado em projetos de capital, contratos inteligentes apoiados pela tecnologia de Blockchain estão dando forma aos contratos do futuro.

Seja conformidade regulamentar, aplicabilidade contratual, transações financeiras transfronteiriças, proveniência material, gerenciamento de documentos ou outros aplicativos, os contratos inteligentes oferecem funcionalidade sem precedentes e a automação dos termos do contrato. No entanto, a lógica do estilo "if-else" em que os contratos inteligentes e sua codificação operam não funciona de maneira tão simples como a linguagem natural dos contratos legais. Como as organizações jurídicas e de contratos geralmente estão distantes dos sistemas comerciais e operacionais, elas podem redigir termos e condições contratuais que as equipes de execução não conseguem seguir ou administrar.

Os contratos inteligentes se integram a duas outras tecnologias, a Internet das Coisas (IoT) e a Blockchain para verificar, validar, capturar e aplicar termos acordados entre várias partes. Um contrato inteligente realiza eventos administrados no mundo real e coleta dados da IoT para realizar medições de desempenho, incluindo informações de sensores, medidores e outros processos de negócios. Esses dados informam os termos automatizados de um contrato, lançando os resultados e acompanhando os registros nos blocos.

Um contrato inteligente é um programa de software que automatiza a execução dos termos do contrato. Aplica-se apenas à execução dos termos executáveis ​​de um contrato. Os contratos inteligentes não substituem os contratos de idioma natural, mas funcionam como um programa que se conecta a um contrato de idioma natural por meio de um adendo, que estabelece um vínculo inviolável entre o programa e um contrato de idioma natural.

Em teoria, o processo parece ótimo. Mas na prática, existem ainda alguns obstáculos a serem superados. Os contratos de hoje são uma maneira baseada em papel de representar o mundo. Embora muitas interações entre empresas tenham sido digitalizadas, a digitalização ainda gira em torno de uma abordagem de relacionamento baseada em risco.

No futuro, os contratos inteligentes forçarão uma nova metodologia, a do pensamento baseado em resultados. Ao capturar informações digitais de medições de desempenho, é possível escrever contratos que operam de maneira ideal para sistemas autônomos, retirando da equação fluxos de trabalho em papel, emoções humanas e preconceitos inerentes.

Fonte:
Law Technology Today
https://www.lawtechnologytoday.org/2020/03/how-smart-contracts-are-changing-legal-contracts/


Inovação Jurídica e o Estereótipo da Idade

Quando pensamos em inovação na empresas, uma crença ainda muito comum é de que as iniciativas mais tecnológicas e disruptivas são sempre promovidas por profissionais mais jovens. É até compreensível que algumas pessoas pensem desta forma, especialmente quando  observamos à nossa volta todos os dias um número cada vez maior (e mais assustador, há quem diga) de crianças que aprendem a usar tablets e celulares muito antes de aprenderem a ler e escrever.

Mas a solução para aumentar a inovação nas empresas, então, está na contratação de profissionais mais jovens? A (talvez) maior aptidão e familiaridade com novas tecnologias se reflete automaticamente no comportamento da organização? Tratando de inovação e de empresas de forma ampla, parece óbvio que a resposta para ambas as questões é não. Mas e quando falamos de inovação na área jurídica?

O estereótipo de que a propensão a inovar e buscar novas tecnologias está tatuada na pele dos mais novos, ganha ainda mais força quando olhamos para um setor em que o tradicionalismo e a aversão a riscos parecem estar documentadas em papel, com firma reconhecida e registradas em cartório.

Mas ao que tudo indica, esta percepção também não representa a realidade no mundo dos advogados. É o que aponta uma recente pesquisa realizada pela Association of Corporate Counsel (ACC), que contou com a participação de mais de 1000 advogados corporativos em posições de liderança em mais de 47 países, incluindo o Brasil.

Segundo a pesquisa, a diferença de idade entre os líderes de departamentos jurídicos não apresentou reflexos substanciais na adoção de novas tecnologias para melhora da eficiência. Enquanto 56% dos millenials afirmaram que pretendem adotar novas tecnologias em seus departamentos nos próximos 12 meses, 48% dos baby boomers responderam da mesma forma.

Por outro lado, outro apontamento relevante, e que de certa forma contribui para o estereótipo que ainda recai sobre o segmento jurídico, é que apenas 42% de todos aqueles que responderam à pesquisa pretendem investir em novas tecnologias, com a ressalva de que outros 10% afirmaram que não planejam este investimento uma vez que já o fizeram recentemente.

Neste mesmo sentido, e corroborando com a ideia de que um pensamento tradicional ou inovador não depende da idade, os advogados corporativos apontaram como um dos principais desafios à transformação digital o fato de que “advogados, mesmo os mais jovens e inovadores, gostam muito de papéis e de formas tradicionais de prestar serviços legais”.

Mas se a idade parece não influenciar no comportamento inovador e tecnológico dos departamentos jurídicos, esta propensão se mostra mais intimamente ligada à cultura organizacional, atingindo o departamento jurídico de maneira reflexa. Assim, é mais fácil encontrarmos um jurídico inovador e tecnológico em grandes empresas e naquelas que atuam diretamente na área da tecnologia do que nas demais.

Será que já não está na hora do departamento jurídico assumir um papel de maior protagonismo nesta transformação digital?

Rafael Simião


3 Novas Carreiras Jurídicas Voltadas Para A Tecnologia

Com a crescente demanda de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos por tecnologia, concomitantemente abrem-se novos caminhos e carreiras para profissionais da área do direito.

Dentre os trabalhos que surgiram como resultado das novas tecnologias, três deles podem ser uma aposta para advogados e profissionais do direito interessados em tecnologia, data, e inovação, de acordo com discursos de especialistas no Bar Association's TechShow que aconteceu em Chicago na última quinta-feira. São eles: Tecnólogo jurídico, especialista em aquisição/contratação de serviços jurídicos (legal procurement) e diretor de inovação.

O trabalho do tecnólogo jurídico consiste em diminuir o gap entre os operadores de direito e o departamento de TI ou desenvolvedores, seja dentro de um escritório de advocacia ou de uma companhia voltada para legal tech. Os profissionais de TI geralmente encontram dificuldade em se comunicar de maneira adequada e entender a linguagem dos advogados, e vice-versa. De modo que ter um advogado conhecedor de tecnologia, que exerça essa função híbrida dentro do staff, pode manter a fluidez dessa comunicação, tornando-a mais efetiva na busca conjunta de soluções.

A aquisição/contratação de serviços jurídicos é outra área onde um advogado pode aproveitar os conhecimentos que já tem para direcionar sua carreira. Foi-se a época em que um escritório de advocacia podia simplesmente determinar a quantidade de horas necessárias para a execução de um serviço e cobrar seus clientes com base nisso. A “compra” de serviços legais tornou-se algo muito mais complexo.

Os serviços jurídicos são um dos primeiros aspectos que as companhias pensam em “cortar” de seu budget em época de recessão ou quando há algum imprevisto financeiro dentro da empresa. As empresas estão incessantemente em busca de contratar o melhor serviço jurídico pelo menor preço. Um advogado com conhecimento de análise de dados, lucratividade e contabilidade pode ser de grande valor para as companhias.

Outra função em ascensão é a de diretor de inovação dentro dos escritórios de advocacia – cargo que tem se tornado cada vez mais popular nos Estados Unidos nos últimos anos. Essa função exige do advogado, além de conhecimento em tecnologia, capacidade gerencial e de liderança, e a tão falada habilidade de “pensar fora da caixa” para trazer soluções para problemas complexos.

Os escritórios precisam de Diretores de Inovação não apenas por demanda interna, mas porque os clientes estão exigindo inovação por parte dos advogados, e exigindo que o serviço contratado seja executado de forma rápida, barata e mais eficiente possível, o que força os advogados a serem criativos sobre como otimizar seu próprio trabalho.

Isadora Savazzi Rizzi