Os impactos do coronavírus nas startups

A pandemia do coronavírus, além de já ter causado milhares de mortes no mundo inteiro, tem causado também fortes impactos na economia global. As medidas de isolamento social, recomendadas como forma de evitar o contágio para um número maior de pessoas, acabaram afetando diretamente as atividades comerciais de diversas empresas. Este cenário econômico é ainda mais crítico para as startups, que muitas vezes não dispõem de fluxo de caixa suficiente para manter as operações sem receita por muito tempo.

Algumas startups brasileiras já anunciaram demissões e reduções de equipe, como medidas para cortar os custos. Este é o caso, por exemplo, da startup MaxMilhas, que trabalha com o modelo de intermediação de compra e venda de pontos em programas de fidelidade das companhias aéreas. Com o drástico impacto do coronavírus no setor de aviação, algumas empresas do setor estão reduzindo suas atividades em 90%, o que também afetou a startup. A
empresa que tinha em torno de 400 funcionários antes da crise, teve de reduzir em 42% a quantidade de profissionais em sua equipe. O presidente executivo da startup, Max Oliveira, comentou, através de suas redes sociais, que a decisão de demitir provocou "o dia mais difícil de sua vida".
Outra startup que precisou realizar demissões foi o unicórnio Gympass, que oferece um serviço para conectar profissionais de empresas à uma rede de academias. A empresa foi afetada pelo fechamento das academias em meio à quarentena, o que levou a um grande número de cancelamentos do serviço por parte dos seus usuários. A empresa não divulgou o número de demissões, mas afirmou que "precisou de mudanças para cortar custos".
O banco digital C6 Bank também precisou desligar por volta de 60 profissionais dentro do seu time de quase mil pessoas. Segundo comunicado da empresa, foram feitos "ajustes em áreas por conta da parada na economia", em áreas como marketing e comercial. Contudo, a empresa também afirmou que segue fazendo contratações para profissionais das áreas de tecnologia e operações.

Por conta dos impactos do Covid-19, importantes fundos de venture capital com atuação no país voltam os olhos para os seus portfolios e preveem, ao menos no curto prazo, uma redução nos investimentos em startups. “Estamos trabalhando para ter certeza que as nossas empresas estão preservando caixa”, afirmou Paulo Passoni, sócio do Softbank na América Latina. O Softbank chegou a região em Abril de 2019 e já investiu cerca de US$ 2 bilhões em 20
startups, como QuintoAndar, Loggi e Vtex.
Para os fundos de investimentos, ajudar as startups a superarem este momento delicado da economia não é o único desafio. Michael Nicklas, sócio da Valor Capital, fundo que já investiu em startups como GuiaBolso e Loft, afirma que estão trabalhando com outros fundos para captar recursos e fornecer pelo menos 18 meses de fôlego para algumas de suas empresas. “Mas também temos visto companhias que estão aproveitando as oportunidades que a crise
traz”, afirmou Nicklas.
O cofundador da Monashees, outra pioneira do venture capital no País, Eric Acher também destacou que algumas de suas startups da área de e-commerce estão crescendo absurdamente. Ele aponta outro ponto positivo para as startups locais diante da crise: a resiliência. “É bom lembrar que muitas dessas empresas foram criadas durante a pior recessão vivida pelo Brasil.”

Fato é que as startups terão de se adaptar à esta nova realidade, onde as perspectivas que apontavam para recordes em resultados das startups em 2020, mudaram totalmente. O jogo agora é outro e ainda não sabemos exatamente quais serão as novas regras. Mas, levarão vantagem no jogo as startups que conseguirem manter seus negócios, usando principalmente a agilidade e a resiliência para superar estes momentos difíceis.

Fontes:
https://www.terra.com.br/noticias/tecnologia/inovacao/startups-brasileiras-fazem-demissoes-por-conta-do-coronavirus,fd0da4db91279dfc22e419caa786f91as9j6kdn4.html
https://neofeed.com.br/blog/home/fundos-de-venture-capital-avisam-e-hora-de-segurar-aportese-de-preservar-o-portfolio


Isadora Rizzi, jurada no Rocket da RPC

Nesta semana nossa Head de Legal, Isadora Rizzi, participou como jurada do Rocket, um reality show de empreendedorismo e inovação promovido pela RPC, e deu algumas dicas jurídicas para startups.

Confira o vídeo com todos os detalhes em:
https://gshow.globo.com/RPC/realities/rocket-startup/noticia/cuidado-com-a-captacao-de-dados-alerta-izadora-rizzi-sobre-o-uso-de-informacoes-de-terceiros-em-startups.ghtml


Home Office Time

Como não podia ser diferente em meio a essa pandemia que estamos vivendo, nossa principal prioridade é a saúde e a segurança de todos os nossos colaboradores. Nos sentimos também no dever e responsabilidade de apoiar nossas comunidades, aqueles que são vulneráveis e os profissionais de saúde que estão na linha de frente.
Portanto, comunicamos que nós do Bluejack, entre outras providências, estamos dando continuidade às nossas atividades normalmente, porém em regime de home office.
Estamos atendendo em todos os nossos canais de contato (e-mail, calls, aplicativos de mensagens instantâneas, redes sociais, etc.).
Permanecemos otimistas e acreditamos que, se cada um exercer seu papel, conseguiremos superar esse desafio o mais rápido possível!

Atenciosamente

Blue Jack


Como os Smart Contracts estão mudando os contratos

O conceito de contratos como conhecemos hoje teve sua origem no direito romano, sofrendo algumas mudanças durante o tempo. Atualmente as novas tecnologias na forma de smart contracts, estão mudando ainda mais a forma como as questões legais são elaboradas. Evidenciado pelo aumento da adoção de grandes aplicações industriais com o OOC Oil & Gas Blockchain Consortium, uma poderosa rede de dez principais empresas de petróleo e gás; juntamente com a iniciativa do Sistema Operacional 2.0 (OS2) da Universidade do Texas, um projeto colaborativo de pesquisa e desenvolvimento focado em projetos de capital, contratos inteligentes apoiados pela tecnologia de Blockchain estão dando forma aos contratos do futuro.

Seja conformidade regulamentar, aplicabilidade contratual, transações financeiras transfronteiriças, proveniência material, gerenciamento de documentos ou outros aplicativos, os contratos inteligentes oferecem funcionalidade sem precedentes e a automação dos termos do contrato. No entanto, a lógica do estilo "if-else" em que os contratos inteligentes e sua codificação operam não funciona de maneira tão simples como a linguagem natural dos contratos legais. Como as organizações jurídicas e de contratos geralmente estão distantes dos sistemas comerciais e operacionais, elas podem redigir termos e condições contratuais que as equipes de execução não conseguem seguir ou administrar.

Os contratos inteligentes se integram a duas outras tecnologias, a Internet das Coisas (IoT) e a Blockchain para verificar, validar, capturar e aplicar termos acordados entre várias partes. Um contrato inteligente realiza eventos administrados no mundo real e coleta dados da IoT para realizar medições de desempenho, incluindo informações de sensores, medidores e outros processos de negócios. Esses dados informam os termos automatizados de um contrato, lançando os resultados e acompanhando os registros nos blocos.

Um contrato inteligente é um programa de software que automatiza a execução dos termos do contrato. Aplica-se apenas à execução dos termos executáveis ​​de um contrato. Os contratos inteligentes não substituem os contratos de idioma natural, mas funcionam como um programa que se conecta a um contrato de idioma natural por meio de um adendo, que estabelece um vínculo inviolável entre o programa e um contrato de idioma natural.

Em teoria, o processo parece ótimo. Mas na prática, existem ainda alguns obstáculos a serem superados. Os contratos de hoje são uma maneira baseada em papel de representar o mundo. Embora muitas interações entre empresas tenham sido digitalizadas, a digitalização ainda gira em torno de uma abordagem de relacionamento baseada em risco.

No futuro, os contratos inteligentes forçarão uma nova metodologia, a do pensamento baseado em resultados. Ao capturar informações digitais de medições de desempenho, é possível escrever contratos que operam de maneira ideal para sistemas autônomos, retirando da equação fluxos de trabalho em papel, emoções humanas e preconceitos inerentes.

Fonte:
Law Technology Today
https://www.lawtechnologytoday.org/2020/03/how-smart-contracts-are-changing-legal-contracts/


Escritórios eliminam vestimentas e linguagem formais

Escritórios de advocacia da Inglaterra e Estados Unidos eliminam códigos de vestimenta formal e o uso de linguagem pomposa para tentar se modernizar. Alguns escritórios, como o americano Quinn Emanuel, aboliram o uso do termo "excelentíssimo" nas suas correspondências legais, instruindo seus profissionais a usarem formas mais coloquiais como "caros colegas" ou "caros advogados".
Além de romper com a tradição e a formalidade, o intuito é usar formas de tratamento que sejam neutras de gênero, levando em consideração que cada vez mais mulheres também ingressam nas profissões do direto.

Já o escritório Pinsent Masons abandonou o seu código de vestimentas para seus funcionários, que continha duas páginas. Ao invés disso substituíram as normas de vestimentas por apenas uma frase aconselhando seus funcionários a se “vestirem adequadamente para o seu trabalho, agenda e parte interessadas”.

Pequenas mudanças no modo como as pessoas tratam umas às outras e no que podem ou não vestir podem parecer insignificantes, mas podem trazer um enorme impacto positivo para a cultura dos escritórios de advocacia e auxiliar no recrutamento e retenção de profissionais.
No atual momento em que os escritórios de advocacia enfrentam cada vez mais concorrência, seja de outros escritórios ou até de legaltechs, ações como estas podem ajudar a modernizar a imagem do setor e até mesmo atrair novos clientes.

Fonte:
Valor econômico https://valor.globo.com/carreira/noticia/2020/02/18/escritorios-de-advogacia-eliminam-codigo-de-vestimenta-e-linguagem-pomposa-para-modernizar-imagem.ghtml


Analistas dizem que 23% das tarefas dos advogados podem ser automatizadas

Um estudo realizado pela consultoria McKinsey sobre automação e o trabalho nos Estados Unidos, estima que 23% do trabalho realizado pelos advogados atualmente já pode ser automatizado com as tecnologias existentes.
Os avanços na tecnologia, como inteligência artificial e ferramentas de automatização de tarefas, já é possível atualmente delegar aos computadores as tarefas repetitivas e operacionais da rotina de trabalho de um advogado.
Geração automatizada de contratos, assinaturas digitais, buscas inteligentes de documentos, bem como ferramentas para otimizar a comunicação e a gestão dos processos de um escritório já estão disponíveis para auxiliar os advogados no seu dia a dia.

As universidades e instituições de ensino do direito também vão precisar se reinventar, pois uma parte do que é ensinado aos estudantes de direito hoje em dia já não fará mais sentido quando finalizarem sua graduação. Por outro lado, estes estudantes precisarão desenvolver habilidades como empreendedorismo, pensamento analítico e crítico para a solução de problemas. Muitas instituições de ensino já estão investindo esforços para oferecer um modelo de educação continuada, que permita aos jovens aperfeiçoar suas habilidades mesmo após a graduação.

Estes são apenas alguns dos desafios que tanto os advogados de hoje, como os que estão se formando nas universidades, precisarão enfrentar para continuar a exercer suas profissões no direito.

Ao invés de tentar lutar contra a tecnologia, os advogados precisam cada vez mais adotar as ferramentas para transformar a sua rotina de trabalho, focando no que realmente importa, que é a entrega de um trabalho relevante e de qualidade para seus clientes.
As máquinas estão aí para automatizar parte do trabalho, para que os seres humanos não precisem mais trabalhar como máquinas.

Fontes:
McKinsey
https://public.tableau.com/profile/mckinsey.analytics#!/vizhome/AutomationandUSjobs/Technicalpotentialforautomation
CNBC
https://www.cnbc.com/2020/02/06/technology-is-changing-the-legal-profession-and-law-schools.html


Proteção de Dados: Você precisa colocar a casa em ordem

No último dia 28 de Janeiro foi celebrado o Dia Internacional da Proteção de Dados. Em comemoração à data, especialistas em proteção de dados de diversas companhias e agências governamentais estiveram reunidos na sede do LinkedIn, em São Francisco, nos Estados Unidos, para discutir as leis de proteção de dados vigentes e as perspectivas de futuras regulamentações.

O Evento “Data Privacy Day”, que já está em sua 4ª edição, este ano teve como tema “A Vision for the Future”. A fala de abertura foi comandada por Kalinda Raina, advogada que ocupa o cargo de VP e Head of Global Privacy do Linkedin e acumula passagens por empresas como Apple e Nintendo. Kalinda, desde o início do evento, deixou clara a tendência global de regulamentar a privacidade de dados, encabeçada principalmente pela normatização promovida pela União Europeia sobre o assunto (GDPR).

Mas um importante alerta foi feito pelo Chief Privacy Officer e Sênior VP da Visa, John Gevertz, que lembrou que as companhias que estão buscando se adequar às novas regulamentações conforme elas vão surgindo, já estão “atrasadas”. Isto porque uma política de privacidade de dados efetiva deve se estabelecer no nível de cultura organizacional, se possível desde o início das atividades da empresa. Raina complementou, ainda, pontuando que, todos os colaboradores da companhia (e não apenas os executivos e os advogados) devem pensar no cumprimento das normas de privacidade de dados.

Outro highlight do evento ficou por conta de Kristina Bergman, CEO da Integris Software, empresa americana especializada em automação de proteção de dados, que compartilhou experiências vividas por alguns de seus clientes. Bergman destacou que políticas de dados “preguiçosas” ou mal elaboradas não apenas ameaçam a reputação da empresa, como também as deixam mais vulneráveis a potenciais violações de privacidade de dados. Ao mesmo tempo, alertou que empresas que sofrem vazamentos de dados acabam chamando a atenção das agências reguladoras e, por esta razão, estão mais sujeitas a autuações relativas a outras violações de privacidade de dados que estejam cometendo. Em resumo, e de forma literal, o recado dado foi: “Você precisa colocar a casa em ordem.”

O evento, na íntegra, pode ser assistido pelo site https://staysafeonline.org/dpd20-live/. E você, o que está fazendo para colocar a sua casa em ordem?

Rafael Simião


Sua empresa está gerenciando os depósitos judiciais?

A Justiça do Trabalho de São Paulo devolveu às empresas que depositaram valores em ações trabalhistas mais de R$ 25 milhões de reais e espera restituir outros R$ 9 milhões de reais ainda esse ano.

Essa iniciativa do Tribunal tem como objetivo encontrar valores parados e “esquecidos” nas contas judiciais e devolvê-los aos legítimos donos. Mas essa ação só foi possível graças à inteligência artificial, com o “sistema garimpo” desenvolvido pelo TRT para realizar essa tarefa.

Esse sistema permite um cruzamento de dados entre os bancos de dados do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e a base de processos arquivados, para que assim seja possível observar quais desses processos ainda tenham contas ativas vinculadas a quantias depositadas.

Apesar dessa ótima iniciativa, isso tudo ainda está restrito apenas ao Tribunal do Trabalho de São Paulo, enquanto esta situação se repete em todo o país, afetando milhares de empresas que também possuem dinheiro “perdido” em contas judiciais.

E a sua empresa, como está fazendo o acompanhamento dos depósitos judiciais? Já pensou em desenvolver uma ferramenta que te auxilie nessa tarefa? O Blue Jack pode te ajudar a resolver esse problema. Saiba mais sobre nosso programa Corporate em nosso site.

Ravi Petrelli Paciornik


A chegada da Inteligência Artificial Judiciário – Estônia vai lançar o primeiro “juiz robô”

Será que um juiz de Inteligência Artificial pode proferir um julgamento assertivo? O governo da Estônia acredita que sim. O país é um dos líderes quando se trata de Inteligência Artificial aplicada ao setor público, e vem concentrando esforços em implantá-la em diversas vertentes da sociedade para automatizar processos do cotidiano de seus cidadãos – até os registros hospitalares da Estônia, por exemplo, já estão automaticamente interligados com as escolas locais, de modo que os bebês recém nascidos são instantaneamente matriculados ao nascerem, para evitar que os pais tenham que fazê-lo, ou permaneçam futuramente em listas de espera.

Neste projeto ambicioso de digitalização do judiciário, voltado para a desobstrução e diminuição do acúmulo de processos, o governo da Estônia propôs a criação de um “robô juiz” que pudesse julgar causas de menor valor (disputas inferiores a €7,000).

O projeto está em fase embrionária e muitos detalhes ainda estão indefinidos, além de que, juízes e advogados estonianos ainda deverão dar seus feedbacks a respeito, mas, de acordo com o Diretor de Dados do Governo da Estônia, Ott Velsberg, em recente entrevista ao site The Technolawgist, o robô será colocado em uso ainda neste ano através de um piloto, para processar causas que versem sobre direito contratual. O que já é suficiente para suscitar uma série de discussões e repercussões.

O funcionamento do robô é relativamente simples: As duas partes farão o upload de documentos e informações relevantes, e o robô de Inteligência Artificial, baseado em algoritmos pautados em jurisprudência e informações previamente inseridas em sua programação, proferirá uma decisão, a qual poderá ser objeto de recurso submetido a um juiz humano.

Embora não seja o primeiro esforço para implementar Inteligência Artificial ao direito – outros países também já implementaram inteligência artificial em seus judiciários, como a plataforma online utilizada pela União Europeia para resolver conflitos de cunho consumerista, ou a ferramenta utilizada pela Suprema Corte dos Estados Unidos para prever o voto dos juízes baseadas em suas próprias jurisprudências anteriores para poupar-lhes trabalho, sem contar os advogados-robôs utilizados por algumas bancas norte-americanas –  é o primeiro a almejar a criação de uma autoridade judicial capaz de elaborar decisões judiciais oficiais baseadas em algoritmos.

É claro que o governo da Estônia conta com um aparato de digitalização de dados e procedimentos bastante avançado para que este projeto possa ser colocado em uso, e inclusive se utilizará de sistemas pré-existentes – todos os 1,4 milhões de estonianos já possuem identidade digital, através da qual podem exercer o direito de voto, fazer declarações de imposto online, por exemplo – além de planos de trabalho contínuo para constante atualização da Inteligência Artificial, a fim de que ela se mantenha válida e sem erros.

Já no Brasil… Além de todo o empecilho da falta de automatização dos processos burocráticos, desencontro dos cadastros públicos, e de uma grave lacuna de intercomunicação entre os órgãos da administração, certamente haveria em um primeiro momento um entrave constitucional e regulatório a ser debatido para a implantação de tecnologia similar.

Os princípios do devido processo legal e o do juiz natural, por exemplo, trariam à tona discussão sobre a legitimidade e legalidade da decisão proferida por um robô, ainda que ela estivesse sujeita a recurso submetido à apreciação de um juiz humano.

Sem contar que seria necessária a criação de normas específicas, pois as atualmente existentes provavelmente não “dariam conta” de regulamentar essa e outras tecnologias. E a responsabilidade pelos atos de Inteligência Artificial, seria de quem? E a questão ética que circunda a privacidade de dados?

Há ainda quem tema que a utilização de Inteligência Artificial diminuiria o número de funcionários públicos, mas a verdade é que a Inteligência Artificial, embora certamente substitua alguns empregos, ajudaria a tornar a administração pública mais leve e ágil, desprovida do peso da burocracia inextricável que assola nosso setor público – e principalmente nosso judiciário, que abriga hoje mais de 80 milhões de processos ativos (dados CNJ 2018) – trazendo maior consistência, eficiência e assertividade ao Poder Judiciário do que temos atualmente, e permitiria que os juízes, servidores e advogados humanos utilizassem seu tempo para resolver conflitos de maior complexidade, e se especializar em questões que não estão ao alcance de máquinas e robôs. Afinal, não há sentido que o judiciário desperdice tanto tempo em atos inócuos e ações repetitivas que poderiam perfeitamente ser realizados por sistemas de inteligência artificial.

Há uma série de questões a serem debatidas, mas fato é que este debate já não pode mais se protelar, pois a “era da tecnologia” é presente, e não mais presságio, e nela, não há mais espaço para obsoletismos, formalismos, ineficácia e tampouco desperdício de tempo e capital humano.

Isadora Rizzi


O que são as “lawtechs” e como elas vão revolucionar o mundo jurídico

Uma das áreas do conhecimento mais tradicionais do mundo, o Direito está iniciando o que parece ser uma revolução digital. As "lawtechs" ou "legaltechs", empresas dedicadas a soluções tecnológicas para questões do mundo jurídico, vêm se multiplicando e mostrando que há novos jeitos de executar tarefas nessa área.

Segundo levantamento da LawGeex, empresa de inteligência artificial voltada à advocacia, em 2018 esse mercado movimentou mais de US$ 1 bilhão em todo o mundo. Só no Brasil já são mais de 140 startups nesse ramo, de acordo com um relatório da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) divulgado no último mês de maio.

"No final de 2017, quando a AB2L foi criada, eram 35 legaltechs associadas", conta um dos fundadores e membro do conselho da associação, Matheus Bombig, que acredita que esse segmento ainda deve crescer muito. "Hoje, o Brasil tem 1,2 milhão de advogados e 80 milhões de processos ativos. É um mercado extremamente grande."

Justamente pela dimensão dessa área, as possibilidades de atuação são inúmeras. Usando ferramentas como processamento de dados, estatística, inteligência artificial e programação, empresas conseguem acelerar e melhorar muitos aspectos do Direito.

É possível disponibilizar plataformas de análise e organização de dados que permitem prever decisões judiciais baseadas no histórico de cada corte; automatizar a gestão de documentos jurídicos; desenvolver mecanismos para facilitar o cumprimento e fiscalização de normas; agilizar e centralizar o acesso a dados públicos; otimizar a gestão dos escritórios e manutenção de clientes; auxiliar o cumprimento de regulamentações; fazer resolução de conflitos on-line; e integrar e processar diferentes sistemas de dados.

"As lawtechs e legaltechs podem agilizar principalmente nas partes mais burocráticas do trabalho do advogado, como na análise de um número muito grande de documentos, por exemplo. Um sistema faz em minutos o que uma pessoa faria em semanas", opina o advogado Tauan Mendonça, sócio da consultoria de recrutamento especializada no mercado jurídico Vittore Partners.

Exemplos de lawtechs
É o caso da Oystr, uma ferramenta que possibilita que escritórios e assessorias jurídicas coletem enormes volumes de dados de diferentes fontes e os organize dentro do seu próprio sistema. "O cliente usa os nossos robôs para pegar informações na internet, de sites de tribunais e outros sistemas, e consegue colocar no sistema dele de maneira prática", conta o diretor-chefe de tecnologia da empresa, Jonas Pinheiro Pacheco.

As informações contidas nos sistemas são de todas as movimentações processuais – como intimações, andamento de protocolos e outras atualizações. Especialmente pensando em empresas com clientes grandes, que envolvem milhares de processos cada um, a ferramenta economiza o tempo que seria gasto por várias pessoas em uma tarefa totalmente mecânica.

"Por exemplo, um cliente que precisa consultar a situação de 10 mil processos: em vez de montar uma equipe de dez pessoas para copiar e colar dados por duas semanas, ele consegue usar o robô para fazer isso em minutos", explica Pacheco, que acredita que o universo jurídico passará pelas mesmas mudanças que o financeiro passou com a entrada das fintechs. "A gente quer que o advogado se preocupe com advogar e deixe que a ferramenta realize as tarefas que ele precisa."

Outra legaltech brasileira é a Invenis, que automatizou a terefa de identificar novos processos direcionados aos clientes de equipes jurídicas. "Quando alguém move um processo contra outra pessoa, o primeiro lugar onde esse processo aparece é no site dos tribunais. E, hoje, o Brasil tem mais de 100 sites de tribunais", conta Bombig, co-fundador da Invenis. "A nossa ferramenta automatiza esse processo de pesquisar diariamente em todos esses sites se tem um processo contra uma parte."

Ainda que o réu vá ser eventualmente notificado sobre a ação, isso pode demorar e custar um tempo precioso de preparação dos advogados. "É um caminho longo até uma parte ficar sabendo que ela foi processada", diz. Além de ganhar prazo, ele afirma que essa informação também pode ajudar a diminuir a judicialização de processos, abrindo a possibilidade de um acordo logo no início.

"O grande poder da tecnologia é fazer tarefas repetitivas de forma mais eficiente e barata. O que o advogado precisa fazer mesmo é advogar. Qualquer tarefa repetitiva uma máquina faz muito melhor do que o ser humano", opina o conselheiro da AB2L.

O que muda para os profissionais do Direito
Os especialistas que defendem as lawtechs acreditam que retirando do caminho dos juristas as tarefas passíveis de automatização, sobra espaço para que estes profissionais se dediquem às atividades que realmente requerem qualificação. "A exigência do profissional do futuro vai aumentar em termos de conhecimento jurídico", aposta Mendonça, da Vittore Partners.

Como já aconteceu em outros setores, esse novo degrau tecnológico deve criar espaço para profissionais preparados para lidar com mudanças e propor novas ideias. "Escritórios de advocacia ainda são muito tradicionais, mas dentro das empresas a área jurídica deixou de ser de suporte e se tornou fundamental para o negócio", afirma o headhunter. "O jurídico tem que ser um facilitador de novos negócios, com um 'mindset' voltado para liderança e inovação."

Ele ressalta que outras "soft skills" (características ligadas a comportamento e personalidade), como uma boa habilidade de comunicação, são muito requisitadas dentro dos departamentos jurídicos das empresas e aparecem lado a lado das novidades tecnológicas. "O jurídico deve também falar de negócios, ter uma visão transacional do negócio, ser um suporte para alta liderança e propor inovação efetiva. O novo advogado deve estar ligado em novos sistemas e se esses sistemas fazem sentido para o negócio da companhia. O perfil deixou de ser só um advogado."

Para Bombig, os dados e a tecnologia empoderam os departamentos jurídicos para tomar decisões melhores e que os profissionais que conseguirem se adaptar a essa lógica terão um vasto campo de atuação. "Não existem carreiras que estão em risco, mas sim tarefas que são muito manuais e repetitivas. A profissão do advogado vai continuar existindo", acredita. "A sociedade está mudando e todo mundo tem que mudar. Ninguém pode achar que a atividade que faz hoje é que vai continuar fazendo ao longo da vida inteira".

Fonte: Gazeta do Povo
https://www.gazetadopovo.com.br/economia/o-que-sao-as-lawtechs-e-como-elas-vao-revolucionar-o-mundo-juridico/